Mulheres do Agro debatem liderança e desafios na pecuária
A presença feminina no meio rural, na gestão de propriedades, na ciência e em posições de liderança no agronegócio foi o fio condutor de um encontro realizado na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS). A atividade reuniu integrantes da Comissão de Agronegócio da Associação Brasileira de Mulheres de Negócios (BPW Brasil), produtoras rurais e profissionais interessadas em conhecer a atuação da Unidade e trocar experiências sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em diferentes espaços profissionais.
O diálogo teve a participação da chefe-geral, Mariana de Aragão Pereira, primeira mulher a assumir o cargo em mais de 50 anos de história do centro de pesquisa. Durante o encontro, Aragão destacou a importância de iniciativas que aproximam mulheres e dão visibilidade às diferentes formas de participação feminina.
“É muito importante esse trabalho que vocês desenvolvem, essa visibilidade que vocês trazem para o feminino no Agro”, afirmou. Para ela, ampliar essa presença não significa estabelecer uma disputa entre homens e mulheres. “Ela complementa, traz um olhar diferente, um jeito diferente de ver e fazer as coisas.”
Na avaliação da gestora, a formação de redes entre mulheres pode contribuir para que mais profissionais reconheçam suas próprias capacidades e encontrem apoio para ocupar novos espaços. Durante sua fala, ela ressaltou a importância de mulheres que “se juntam, se apoiam” e encontram umas nas outras forças para superar barreiras e mostrar que também têm contribuições a oferecer para o setor.
Mulheres na gestão da propriedade
A participação feminina apresentada no encontro não ficou restrita aos cargos institucionais. As intervenções das participantes mostraram mulheres envolvidas diretamente na administração e nas decisões das propriedades rurais.
Marlene Ingold, produtora e psicóloga, levantou questões relacionadas à adoção de novas tecnologias e os desafios na gestão de pessoas, citando os trabalhos da Chefe-Geral na área psicossocial. A reflexão aproximou questões comportamentais das decisões tecnológicas tomadas no campo.
As discussões mostraram que a gestão pecuária não se resume ao controle de custos ou de indicadores zootécnicos. Conhecer as normas que incidem sobre produção, movimentação e comercialização dos animais pode interferir diretamente nas decisões da propriedade.
Representatividade sem apagar a história
O significado da presença feminina na liderança ganhou um componente simbólico quando uma das participantes observou a galeria de antigos gestores da Embrapa Gado de Corte, até então formada por homens, e sugeriu que a fotografia de Mariana passasse a integrar futuramente esse registro.
Aragão destacou à trajetória daqueles que ajudaram a construir a Unidade e reconheceu o significado de ser a primeira mulher a assumir a gestão após décadas da instituição: “De fato, estou inaugurando uma nova era”. O episódio sintetizou uma das mensagens do encontro: ampliar a participação feminina não significa desconsiderar trajetórias anteriores, mas abrir possibilidades para que outras histórias também sejam construídas.
Membro do comitê do agronegócio da BPW Brasil, Maria Vilma Rotta, é agropecuarista e ao lado do grupo formado por 20 mulheres, ratificou que a visita foi além de conhecer novas técnicas de inovação e ter respostas sobre sustentabilidade na pecuária. “As horas passadas na Embrapa nos fez perceber que precisamos voltar e que, como mulheres, juntas, podemos mais”.
Informações Embrapa Gado de Corte