Como deveria ser a política de preços da Petrobras?
A pergunta mais polêmica do momento é: A política de combustíveis da Petrobras está certa?
Vamos resumir da seguinte maneira:
Para a saúde da empresa e para os acionistas que recebem dividendos, SIM. Mas para o bolso do brasileiro, dono de 51% da empresa, mas que não recebe dividendos dela, NÃO.
Explico:
É de consenso que uma empresa, mesmo que de capital misto (estatal e privado), precisa ser lucrativa. Isso não está em discussão, precisa. E que subsidiar preço de combustíveis é uma medida burra, populista e prejudicial a todos, pois não existe almoço grátis, alguém sempre paga por isso.
Como dito, a empresa é de capital misto, ou seja, parte estatal (51%) e parte privada (49%). Em ambas as situações, ela precisa visar o lucro para poder manter a capacidade de operação, de investimento, e também pagar bônus de performance em forma de dividendos aos seus acionistas. Ou seja, a empresa lucra, os sócios lucram também.
Pois bem. Sem o lucro (e dividendos pagos aos acionistas), a empresa deixa de ser interessante aos investidores. Suas ações caem, a empresa perde capital de operação e investimento, e aí o Governo, que é o sócio controlador majoritário, tem que injetar dinheiro para continuar operando, extraindo, refinando e distribuindo combustíveis.
E de onde esse dinheiro “do Governo” vem? Dos impostos, lógico! Do seu bolso. E aí o povo fica feliz pois tem gasolina barata, mas puto pois falta investimento em outras áreas, mesmo com os impostos tirando nosso couro.
Não existem soluções simples para problemas complexos.
Segundo números de janeiro de 2022, a Petrobrás é responsável por 80% do consumo nacional, cabendo a importação de 20% do necessário. Mas o custo de exploração do petróleo nacional, segundo números de 2017, gira em torno de 20 a 25 dólares por barril. Essa semana, o barril do tipo Brent vem variando em torno dos 100 dólares. O que dá bastante lucro, pela política atual da Petrobrás. Faça as contas: Produz por 25 e vende por 100. São 75 dólares de lucro.
Enfim… O que se discute hoje é como a empresa poderia seguir lucrando, mas recalcular a forma de cobrar pelos combustíveis no Brasil, assumindo o custo internacional dos 20% importado, e contrabalanceando com o custo dos 80% produzidos em território nacional.
Mudando a política de preços atual, mantendo a empresa lucrativa, adotando um protagonismo responsável sobre o controle da inflação, pois os combustíveis seguem sendo um dos principais coeficientes de aumento da inflação brasileira, a Petrobrás poderia, em uma conta de padeiro rápida e sem cálculos futuros, renunciar a parte do lucro sob o petróleo nacional, continuar sendo lucrativa e interessante ao investidor, reduzindo dramaticamente o preço dos combustíveis no território nacional. Gerando mais consumo, barateando o frete, reduzindo a inflação, movimentando a economia.
Mas isso, claro, esbarra na pressão financeira feita pelos 49% privados e pelo 51% estatal, que visam sempre o maior lucro possível a curto e médio prazo. Pois grande parte dos cargos de gerência da empresa são indicados pelo governo, e esses cargos recebem também prêmios de performance sobre os lucros da empresa…
Resumidamente, o dinheiro manda, a gente reclama, mas paga.