Embrapa reúne acadêmicos para apresentar resultados e discutir formação profissional
A formação científica e profissional de estudantes foi o foco da 15ª edição da Jornada de Iniciação à Pesquisa da Embrapa (Jipe), realizada nos dias 26 e 27 de agosto de 2026, na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, MS. O evento reuniu acadêmicos de universidades que realizam estágio ou possuem bolsas de estudo na Unidade e foram apresentados 14 trabalhos desenvolvidos sob orientação da equipe de pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste (clique e confira os temas, nomes dos acadêmicos e dos orientadores).
Os avaliadores no primeiro dia foram os pesquisadores da Unidade, Éder Comunello e Laércio Augusto Pivetta; no segundo dia, o pesquisador Rômulo Penna Scorza Júnior, da Embrapa Agropecuária Oeste, e Patrick Luiz Pastori, professor do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD (avaliador externo CNPq).
Antes das apresentações, os estudantes participaram da palestra “Presença profissional e assertividade em sistemas de produção”, ministrada pelo analista Gessí Ceccon da Embrapa Agropecuária Oeste. Com experiência na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias para sistemas de produção, Ceccon é um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Consórcio de milho safrinha com braquiária e do Sistema Diamantino.
Durante a palestra, o analista destacou a importância da presença profissional, da comunicação e da busca constante por informações para a tomada de decisões no campo. “A gente precisa estar presente no campo”, ressaltou, ao abordar a necessidade de os profissionais compreenderem as diferentes realidades encontradas nos sistemas de produção.
Segundo Ceccon, comunicar-se é fundamental e não partir do pressuposto de que as pessoas já conhecem determinada informação ou tecnologia. Ele também apresentou exemplos de sua trajetória profissional e de projetos desenvolvidos ao longo dos anos, mostrando como conhecimentos adquiridos durante a formação podem contribuir para a atuação no mercado de trabalho.
Um dos exemplos mencionados foi o desenvolvimento do consórcio de milho safrinha com braquiária. O primeiro projeto teve início em 2004, quando Ceccon atuava na área de transferência de tecnologia na Embrapa Agropecuária Oeste. Em 2005, a tecnologia foi apresentada pela primeira vez em um Seminário de Milho Safrinha. Atualmente, segundo dados citados na palestra, 51% das lavouras de milho safrinha em Mato Grosso do Sul possuem braquiária, conforme levantamento da Aprosoja/MS em 2025.
Ao compartilhar sua trajetória, Ceccon também destacou a contribuição dos estudantes que passaram por sua orientação. Ao longo de sua carreira, já orientou 106 acadêmicos, que, atualmente, atuam no mercado de trabalho no Brasil e no exterior.
Para ele, a formação profissional passa pela capacidade de transformar conhecimento em oportunidades. “Façam, provoquem, aumentem as oportunidades”, orientou aos estudantes.
Decisões mais assertivas
Outro ponto abordado na palestra foi a necessidade de reunir informações básicas e conhecer profundamente os sistemas de produção para tomar decisões mais assertivas, buscando ter conhecimento profundo sobre tecnologias, culturas, dinâmica dos sistemas de produção e mercado.
Ceccon ressaltou ainda que profissionais precisam estar preparados para lidar com diferentes perfis de produtores, compreendendo as diferenças entre agricultores e pecuaristas e suas respectivas necessidades. Conhecer os detalhes das tecnologias e compreender todo o processo produtivo são fatores que permitem orientar melhor o produtor. “A escolha de uma semente, por exemplo, não deve ser feita de maneira isolada, mas considerando as características e a realidade de cada propriedade”.
Para o analista, o conhecimento aprofundado sobre tecnologias também pode representar um diferencial profissional, permitindo ao técnico ocupar espaços no mercado que outros profissionais talvez não estejam preparados para assumir.
Integração científica
Na avaliação do presidente da Comissão Organizadora da Jipe, Alexandre Dinnys Roese, analista da Embrapa Agropecuária Oeste, a Jornada passou por uma transformação ao longo de suas 15 edições. O evento, que inicialmente tinha como foco principal os estudantes, tornou-se também um espaço de discussão de projetos e apresentação de resultados para toda a Unidade. “A principal mudança que observo, nesses 15 anos, é que a Jipe já não é apenas um evento voltado prioritariamente para os estudantes, mas tornou-se também um fórum de discussão de projetos e apresentação de resultados para toda a Embrapa Agropecuária Oeste”, afirma.
Segundo Roese, as equipes de pesquisa passaram a perceber cada vez mais a importância de apresentar seus trabalhos de maneira clara e qualificada ao público interno. “Como consequência, observamos uma melhoria da qualidade dos trabalhos e das apresentações realizadas, uma melhor formação dos estudantes, e um ambiente mais colaborativo entre equipes de pesquisa”, avalia.
Para Rafael, chefe-adjunto de P&D da Embrapa Agropecuária Oeste, a Jornada também representa um momento importante de aproximação dos estudantes com o ambiente científico. Ele destacou que todos os profissionais que hoje atuam como pesquisadores já passaram por etapas semelhantes durante sua formação.
Aos acadêmicos, reforçou que a pesquisa não é uma atividade isolada. “A pesquisa não é um voo solitário. Há muita troca entre pesquisadores, analistas, técnicos e assistentes”, explicou.
Comissão organizadora
A realização da 15ª edição da Jornada contou com uma comissão formada por empregados da Embrapa Agropecuária Oeste. A equipe deste ano foi composta por Alexandre Dinnys Roese, analista e presidente da Comissão; Marciana Retore, pesquisadora e coordenadora científica; Érika Maldonado Berloffa dos Santos, técnica e coordenadora da Comissão de Comunicação e Logística; Edmilson Alves de Souza, analista; Eliete do Nascimento Ferreira, assistente; Estela Hashinokuti, analista; e Sandra Otto Capillé Gnutzmann, técnica, integrantes da Comissão de Comunicação e Logística.
Informações Embrapa Agropecuária Oeste
Foto: Estela Hashinokuti (foto acima) e Ana Clara de Oliveira Rocha (foto abaixo)