Turismo Digital: Nova regra de check-in já está em vigor e promete agilizar recepções
Desde o último dia 20 de abril, os turistas brasileiros que visitam os paraísos naturais de Mato Grosso do Sul, como as águas cristalinas de Bonito ou a biodiversidade do Pantanal, encontraram uma mudança importante ao chegar em seus destinos. O governo federal implementou oficialmente a obrigatoriedade do ‘Check-in Digital’ para todos os meios de hospedagem do país.
A medida, que substitui a antiga e burocrática Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) de papel, visa modernizar o setor e criar um banco de dados estatísticos mais preciso para o Ministério do Turismo.
A mudança não é apenas uma portaria administrativa, mas está ancorada na atualização da Lei Geral do Turismo. O texto que viabilizou essa transição digital foi amplamente debatido no Congresso Nacional, com a participação de nomes influentes da política brasileira.
No Senado, o relatório final que consolidou a proposta ficou sob a responsabilidade de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Antes de chegar à sanção, o projeto também passou pelas mãos de relatores como Felipe Carreras (PSB-PE) na Câmara dos Deputados, além de contribuições de parlamentares como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Randolfe Rodrigues (Sem Partido) em diferentes comissões.
Como funciona para o hóspede?
A principal mudança para o viajante é a integração com o portal Gov.br. Ao chegar a um hotel, pousada ou hostel em qualquer destino do país, o turista pode realizar o pré-preenchimento dos dados via QR Code ou aplicativo, utilizando seu CPF e senha do governo federal.
O sistema solicita informações básicas de identificação, procedência, destino e o motivo da viagem. Para os empresários do setor em MS, a expectativa é de que a novidade reduza drasticamente o trabalho de cadastro e registro dessas informações, e consequentemente as filas nas recepções, especialmente em períodos de alta temporada.
Privacidade: O Leão está de olho?
Uma das principais dúvidas dos contribuintes é se a medida servirá para que o governo monitore gastos pessoais para fins de Imposto de Renda. Especialistas e órgãos oficiais garantem que não há cruzamento de dados financeiros. Pelo menos não diretamente, pois o novo sistema da Receita Federal, em operação a partir deste o início de 2026, já é capaz de rastrear todas as transações financeiras digitais e podem ser monitoradas e cruzadas com a declaração anual do Imposto de Rendas. Independente se você faz ou não check-in em um hotel, suas compras de passagens, gastos de alimentação no destino, compras de passeios ou ingressos de shows, tudo poderá ser rastreado pela Receita.
Voltando ao tema: A ficha digital foca exclusivamente na logística turística e segurança pública. Informações como o valor das diárias, consumo de serviços ou métodos de pagamento (como cartões e PIX) não são coletadas pelo sistema. O acesso a dados individuais permanece protegido pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e só pode ser quebrado mediante ordem judicial.
Impacto Regional
Para um estado onde o ecoturismo é um pilar econômico, a digitalização é vista como um passo essencial. Com dados mais rápidos e precisos sobre o perfil de quem visita nossos destinos turísticos, o governo estadual e as prefeituras podem planejar melhores investimentos em infraestrutura e campanhas de marketing direcionadas, atraindo público mais qualificado e com isso aumentando o faturamento do comércio, serviços e, claro, impostos.
Estabelecimentos que ainda não se adequaram ao novo sistema digital estão sujeitos a advertências e multas administrativas, conforme previsto na nova regulamentação.