Prefeito quer apartamento “popular” seis vezes mais caro no centro da Capital
O Prefeito de Campo Grande Marcos Trad, anunciou na última semana que tem a intenção de dar destinação popular ao prédio do antigo Hotel Campo Grande, situado no centro da Capital, e encontra-se sem uso desde a morte de um dos 13 sócios do imóvel em 2002.
Segundo o prefeito, tratativas estariam sendo feitas com o Governo Federal, através do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, para a viabilização de recursos para a desapropriação e a reforma do imóvel.
Mas essa, que a princípio parecia uma grande ideia de enfrentamento ao déficit habitacional, esbarrou em um grande detalhe apontado pelo vereador André Salineiro (PSDB).
Segundo o vereador, os valores apresentados pela prefeitura para a viabilização do projeto, R$ 13 milhões para desapropriação e mais R$ 23 milhões para a reforma do prédio, que criaria 117 unidades habitacionais, são cerca de seis vezes maiores que os custos de construção de um apartamento popular padrão de tamanho similar.
Salineiro usou como base de comparação a entrega, em 2017, de um residencial no Jardim Canguru que custou cerca de R$ 19 milhões para a construção de 272 apartamentos de 48,5 metros quadrados. Ou seja, ao custo de R$ 65 mil por unidade, enquanto o projeto anunciado pelo prefeito geraria um custo de R$ 388 mil por unidade. Com o valor, em vez de 117 apartamentos no centro, poderiam ser construídos quase 500 unidades em bairros mais periféricos.
Além dos custos exagerados aos cofres públicos, Salineiro também pontuou os custos para os moradores, que teriam que arcar com um IPTU de apartamento no Centro, e isso seria um custo muito alto para as famílias de baixa renda.
O líder do prefeito, o vereador Chiquinho Telles, não considera o custo um empecilho, e afirmou que é melhor morar no hotel do que sob uma lona e que as pessoas têm que aceitar os pobres no centro, concordou que a agência de habitação EHMA precisa dar mais explicações sobre o projeto para os vereadores.