Por quatro dias Corumbá celebrou a América do Sul, em cultura, gastronomia e arte

POSTADO EM.: 17 de maio de 2026 ...

O Festival América do Sul 2026 transformou Corumbá em um grande palco a céu aberto entre os dias 14 e 17 de maio, reunindo música, arte, literatura, dança, teatro, artesanato e manifestações populares que celebram a diversidade cultural latino-americana. A 19ª edição do evento, realizada pelo Governo de Mato Grosso do Sul por meio da Setesc (Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura) e da Fundação de Cultura, com apoio da Prefeitura de Corumbá, consolidou mais uma vez a cidade como ponto de encontro dos povos da América do Sul.

Abertura memorável no Porto Geral

A noite de quinta-feira (14) marcou a abertura oficial no Palco da América, montado no Porto Geral, um dos cartões-postais mais emblemáticos de Corumbá. O prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira acompanhou as atrações ao lado de autoridades estaduais e destacou a parceria entre município e estado.

“Essa união entre a Prefeitura e o Governo do Estado é fundamental para levarmos uma programação cultural de qualidade para a população corumbaense e para todos que nos visitam. O Festival leva entretenimento, arte e integração cultural para as famílias, além de fortalecer a identidade sul-americana que faz parte da história de Corumbá”, declarou o prefeito.

O concerto de abertura foi uma homenagem emocionante à cantora argentina Mercedes Sosa, com o espetáculo “Mercedes Sosa – A Voz da América do Sul”. A apresentação reuniu a Orquestra Sinfônica de Campo Grande e a Orquestra de Câmara do Pantanal, com as vozes de Juci Ibanez, Marta Cel e Lorraine Espíndola. A primeira noite foi encerrada pelo DJ PV, marcando a estreia de uma atração gospel na programação do festival — uma novidade que ampliou a diversidade cultural e religiosa do evento.

Catedral Erudita e a força da música de fronteira

No sábado (16), o projeto “Catedral Erudita” apresentou o espetáculo “Tradição e Fronteira” no Moinho Cultural Sul-Americano, unindo música regional e erudita em uma experiência única. O violeiro Marcos Assunção e o harpista paraguaio Ossuna Brasa dividiram o palco com o quinteto instrumental do Moinho Cultural, num repertório que dialogou com ritmos latino-americanos e fronteiriços.

O governador Eduardo Riedel e a primeira-dama Mônica Riedel prestigiaram a apresentação. “É muito bom ver o Mato Grosso do Sul presente, com a produção e artistas incríveis, no Festival da América do Sul. Toda a expressão da nossa cultura artística e também atuações de outros países. Proporcionamos isso para toda a população presente em Corumbá, e quem vem para o festival”, afirmou Riedel.

O secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Alessandro Menezes, reforçou a importância da parceria entre estado e município: “A população boliviana, a população paraguaia e todas as atrações que a gente traz aqui falam muito desse público plural, desse povo sul-americano que representa bem a sociedade.”

Escadaria da XV: patrimônio histórico vira tela a céu aberto

Um dos momentos mais marcantes da edição foi a entrega da revitalização artística da Escadaria da XV de Novembro. Construída em 1923 e tombada como patrimônio histórico nacional pelo Iphan, a escadaria tem 126 degraus, 15 metros de altura, 3 metros de largura e oferece uma vista privilegiada para o Rio Paraguai e o Pantanal. Ela liga a Avenida General Rondon ao Porto Geral, no centro histórico de Corumbá.

A intervenção artística foi assinada pelo artista visual sul-mato-grossense Marcos Rezende, que trabalhou durante 15 dias no projeto. A escadaria ganhou cores que remetem à água, à vegetação e ao céu pantaneiro, com animais e elementos da natureza surgindo ao longo do percurso. A obra cria diferentes efeitos visuais conforme o visitante sobe ou desce os degraus, transformando o patrimônio em uma verdadeira galeria a céu aberto para moradores e visitantes.

Programação diversa ocupou a cidade

O secretário Alessandro Menezes destacou que o festival é feito onde a vida acontece. “A parceria com a Prefeitura é fundamental porque as políticas públicas acontecem nos municípios, onde as pessoas efetivamente vivem. Esse festival tem todo simbolismo porque representa a América do Sul”, afirmou.

O diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Edu Mendes, ressaltou a amplitude do evento. “O festival não é só música. Ele traz literatura, dança, hip hop, audiovisual, circo, teatro, moda e artesanato. É um festival muito complexo, em que a população de Corumbá comparece, participa, vivencia e leva essa experiência para casa”, disse.

Edu Mendes também fez questão de agradecer ao governador pela realização do evento diante dos desafios enfrentados: “Quero agradecer ao nosso governador, Eduardo Riedel, pela sensibilidade de ter trazido o Festival América do Sul mesmo com muitas intempéries que a gente teve. Só quem vem para Corumbá entende o que é o caldeirão cultural que a gente vive aqui.”

A programação incluiu ainda os encontros literários do Quebra-Torto Literário — com nomes como Cidinha da Silva, Rossine Benício, Rai Soares, Raquel Medina e Jusley Monteiro —, oficinas de artesanato, skate, capoeira, siriri e maculelê, o espetáculo teatral “Mansão 80”, o lançamento do documentário “Pantanal Negro” e apresentações de moda com marcas autorais sul-mato-grossenses.

Grandes shows agitam o Palco da América

A sexta-feira (15) teve Jerry Espíndola com o show “40 Tons” e o DJ Dennis, uma das principais atrações nacionais do festival. O sábado (16) recebeu Big Jhow com o Tributo ao Pantanal, o rapper carioca Marcelo D2 e a Oficina Latina, além do Grupo Sambalanço no Palco Arena. E no domingo (17), Angelique Brasil apresentou “Brasileiríssima: Uma Jornada de Identidade Racial”, antes do show de encerramento do cantor Dilsinho.

Pela primeira vez, o festival também levou contação de histórias ao CEMEI Miriam Mendes, no bairro Guatós, encantando cerca de 50 crianças da primeira infância e reforçando o compromisso de democratizar o acesso à cultura nos bairros periféricos de Corumbá.

Artesanato e povos originários

O governador Riedel visitou a exposição de artesanato do festival, que reuniu artesãos indígenas das etnias guató, ofaié, guarani kaiowá, terena e kadiwéu — uma mostra da riqueza cultural dos povos originários que habitam o estado. A exposição, montada no Centro de Convenções, também contou com o Espaço Saberes dos Povos Originários, a Galeria de Artes e o Território dos Talentos.

Impacto para Corumbá

Além da programação cultural gratuita, o Festival América do Sul movimenta a economia local. Hotéis, restaurantes, comércio e trabalhadores informais sentem o impacto positivo dos milhares de visitantes que lotam a Cidade Branca durante os quatro dias de evento.

Corumbá, fundada em 1778 e uma das cidades mais antigas do estado, construiu sua história às margens do Rio Paraguai como porta de entrada para o Pantanal e ponto de encontro entre Brasil, Bolívia e Paraguai. A cidade é um verdadeiro caldeirão cultural — e o Festival América do Sul é a expressão mais viva dessa identidade fronteiriça, onde a arte prova que as fronteiras unem muito mais do que separam.

 


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