O progresso não pode atropelar Anhanduí: audiência expõe a tensão entre obra e sustento
As dores do progresso costumam pesar mais no cotidiano e na cultura de pequenas cidades e vilarejos. Quando uma obra de infraestrutura chega, ela pode melhorar a logística e a segurança, mas também mexe com o que sustenta famílias inteiras — comércio local, rotinas e tradições. Por isso, o papel da política é ouvir de verdade, reconhecer as dores de quem vive ali e construir soluções que preservem a identidade do lugar sem travar o desenvolvimento.
Nesse espírito, vereadores de Campo Grande participaram de uma audiência pública no distrito de Anhanduí para discutir medidas de proteção aos comerciantes que trabalham às margens da rodovia. O debate reuniu representantes do poder público e moradores para tratar dos impactos da dinâmica viária sobre a economia local, especialmente em pontos onde mudanças no fluxo de veículos, intervenções na pista ou regramentos de trânsito podem afetar diretamente o movimento de clientes e a renda de quem depende do “vai e vem” da estrada.
Durante a audiência, comerciantes relataram preocupações com a manutenção do sustento e com a necessidade de ações que tragam mais previsibilidade para quem empreende na região. A discussão passou por propostas voltadas à segurança viária, à organização do tráfego e à criação de condições para que o desenvolvimento da rodovia e do entorno não signifique o enfraquecimento do comércio tradicional. A sinalização adequada, melhorias de acesso e medidas que reduzam riscos de acidentes foram apontadas como pontos essenciais para equilibrar o interesse coletivo com a realidade de quem trabalha diariamente ali.
Ao mesmo tempo, a audiência reforçou uma ideia central: investimento em infraestrutura não precisa ser sinônimo de perda cultural. Quando a política atua como ponte — ouvindo, mediando e ajustando rotas — é possível criar um ambiente menos burocrático para o desenvolvimento urbano e logístico, sem ignorar que, em comunidades menores, qualquer mudança “grande” chega primeiro na vida das pessoas. A política não é simples, e justamente por isso precisa ser feita com presença, diálogo e compromisso com soluções práticas.
Barracas de Anhandui – Foto: Izaias Medeiros