Estamos a 101 metros do ‘Beijo’ que vai mudar a economia na América do Sul

POSTADO EM.: 20 de fevereiro de 2026 ...
Ponte Internacional Rota bioceânica - Foto: Saul Schramm

Um marco histórico está prestes a acontecer na fronteira: o aguardado “beijo” das aduelas da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai). A obra — considerada uma das mais simbólicas para a integração sul-americana — entrou na reta final da estrutura de ligação entre os dois países.

Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a ponte tem hoje cerca de 101 metros restantes para o fechamento total. A peça final, chamada tecnicamente de aduela de fechamento (e conhecida popularmente como o “beijo”), deve ser concluída no fim de maio, conforme a equipe responsável pela construção. Nesta fase, a obra emprega diretamente cerca de 280 trabalhadores, entre brasileiros e paraguaios — um retrato prático do que a ponte representa: cooperação, troca e integração.

Ponte Internacional Rota bioceânica – Foto: Saul Schramm

Depois desse “encontro” no meio do Rio Paraguai, o cronograma prevê uma série de serviços complementares. Entre eles, a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto para unir definitivamente os dois lados, além do retencionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e a colocação de 168 amortecedores para esses cabos. A ponte também contará com sensores eletrônicos nos pilares e nos cabos, monitorando cargas e esforços em tempo real, inclusive durante a passagem de veículos.

Na sequência, entram acabamentos e itens de segurança: iluminação fluvial (para garantir a navegação segura no rio), finalização do piso, e grades de proteção para pedestres e ciclistas — já que a estrutura terá ciclovia. Depois, serão feitos o asfaltamento, a pintura, a instalação de placas de sinalização e a iluminação ornamental. A entrega completa está prevista para agosto de 2026.

Mais do que concreto e aço, a ponte é uma peça-chave para fortalecer a integração cultural e econômica entre as nações. Ela consolida o Corredor Rodoviário de Capricórnio, a chamada Rota Bioceânica, conectando o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile (como Antofagasta e Iquique), passando por Paraguai e Argentina — e ampliando a presença do Brasil em uma logística mais ágil para o Pacífico.

Ponte Internacional Rota bioceânica – Foto: Saul Schramm

Na prática, isso significa mais competitividade para os produtos brasileiros. A expectativa é que o corredor encurte em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações para a Ásia, especialmente para cargas do Sudeste e do Centro-Oeste. Em viagens com destino à China, a projeção é de redução de 23% no tempo de transporte, o que pode representar 12 a 17 dias a menos — um ganho direto em prazo, custo e previsibilidade, fatores decisivos para competir em mercados exigentes.

Além da ponte e dos acessos, estão previstas infraestruturas alfandegárias integradas dos dois lados da fronteira. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, com potencial de crescimento conforme a rota se consolide como alternativa logística para exportação e importação entre Mercosul e Ásia.

No fim, o “beijo” das aduelas é só o começo: é a imagem de dois países se encontrando para abrir caminho a uma nova fase de integração, desenvolvimento e oportunidades para toda a região.


MAIS POPULARES

UFC Prefeitura 2020
POSTADO DIA : 20 de março de 2019
Marketing povão
POSTADO DIA : 22 de janeiro de 2019