Quatro anos sem Manoel
Hoje se completam 4 anos que Manoel de Barros, nosso poeta Maneco, deixou seus quintais e passou a brincar apenas nos nossos corações.
E para nunca deixar suas molecagens se perderem em nossos dias duros e sem infância, que tal uma paradinha para ler um se seus últimos poemas escritos?
“A Turma”
A gente foi criado no ermo igual ser pedra.
Nossa voz tinha nível de fonte.
A gente passeava nas origens.
Bernardo conversava pedrinhas com as rãs de tarde.
Sebastião fez um martelo de pregar água na parede.
A gente não sabia botar comportamento nas palavras.
Para nós obedecer à desordem das falas infantis gerava mais poesia do que obedecer as regras gramaticais.
Bernardo fez um ferro de engomar gelo.
Eu gostava das águas indormidas.
A gente queria encontrar a raiz das palavras.
Vimos um afeto de aves no olhar de Bernardo.
Logo vimos um sapo com olhar de árvore!
Ele queria mudar a Natureza?
Vimos depois um lagarto de olhos garços beijar as pernas da Manhã!
Ele queria mudar a Natureza?
Mas o que nós queríamos é que a nossa palavra poemasse.
Manoel de Barros
Nascimento: 19 de dezembro de 1916 (Cuiabá – MT)
Falecimento: 13 de novembro de 2014 (Campo Grande – MS)